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07/01/2013 - A discreta estreia da gestora Península

Após sete meses de preparação, empresa fundada pelo ex-presidente do Credit Suisseno Brasil lança seu primeiro fundo

07 de janeiro de 2013 | 2h 09

 

CÁTIA LUZ - O Estado de S.Paulo

Em maio do ano passado, após 15 anos como executivo do Credit Suisse no Brasil e nos Estados Unidos, Antonio Quintella surpreendeu o mercado ao anunciar a criação da própria gestora de recursos. O executivo carioca, que ganhou fama ao transformar a subsidiária brasileira em uma dasoperações internacionais mais lucrativas do banco com sede em Zurique, decidiu montar a Península Investimentos em parceria com Sérgio Fraiman Blatyta, ex-chefe de Tesouraria do Santander, e em sociedade com o próprio Credit Suisse.

Desde então, Quintella e Blatyta preferiram trabalhar em silêncio. E, nos últimos dias do ano passado, sem nenhum alarde, lançaram oficialmente o primeiro produto da gestora. É um fundo multimercado ainda fechado, criado basicamente com o capital dos sócios e do Credit Suisse."Como a gente não depende da captação para viabilizar o negócio, pelo menos no médio prazo, nossa opção foi primeiro consolidar o processo de investimento para depois pensar na questão comercial", explica Quintella, CEO da gestora. Nos planos do empresário, o fundo - que começa com cerca de R$ 300 milhões sob gestão - só deve partir para a captação no segundo semestre.

A cautela marcou todo o processo de estruturação do fundo. Antes de começar a operar de fato, funcionou por três meses em uma espécie de tubo de ensaio. Até se certificar de que poderia partir para o mundo real, a equipe simulou o funcionamento do produto, trabalhando em cima de carteiras de investimento teóricas e testando itens como medidas de risco, tamanho das posições e processos de liquidação e de custódia. "É a primeira vez que faço isso e, olhando para trás, foi um negócio super intenso testar tudo o que a gente tinha desenvolvido. Desde a montagem do fundo acoisas mais básicas, como a construção do site ou a compra de equipamentos", explica Quintella. "É muito diferente de empresa grande, onde você chega e a luz acende, o computador funciona e, se não funciona, você chama alguém para resolver."

Queda de juros. A decisão de partir em voo solo, segundo Quintella, foi motivada sobretudo pela oportunidade que o processo de redução dos juros criou no mercado de investimento no País. Para ele, a queda nas taxas aumenta a demanda por produtos mais sofisticados e com perfil de longo prazo, já que os investidores terão de se acostumar a uma nova equação de risco e retorno.

"Até então, em um produto DI, ou um CDB, você tinha um tripé genuinamente brasileiro em que você conseguia ter ao mesmo tempo rentabilidade, segurança e liquidez. Acabou, não tem mais esse jogo", explica. Nos produtos com horizonte de investimento mais longo, o cliente poderá ter rentabilidade maior, mas terá de tolerar mais risco.

Para o professor de Finanças do Insper, Ricardo Rocha, a escolha da Península de começar por um produto híbrido como o multimercado é acertada. "O brasileiro, que é habituado à renda fixa, não tem perfil de risco para ir direto para a compra de ações, por exemplo", diz o professor. "Faz mais sentido para ele investir em um produto mais flexível, capaz de reunir diferentes ativos, como um pouco de renda fixa e um pouco de ações."

Segundo Quintella, uma das razões que levaram a Península a começar com um multimercado foi a possibilidade de diversificar o risco na carteira do fundo. O perfil multiestratégico também representa uma oportunidade. "É muito natural que os ativos que compõem um multimercado sejam lançados, no futuro, como fundos independentes."

Após a definição do produto de estreia, Quintella e Blatyta partiram para a montagem da equipe. Ao todo, são 22 pessoas. Entre elas, dez sócios. Alguns deles - como Leo Yamauchi, que assumiu o cargo de chefe de operações, e Bruno Leite, gestor de Macro Hedge - já haviam trabalhado com Blatyta no Santander.

Outros vieram de subsidiárias brasileiras de instituições como Brevan Howard, um dos maiores hedge funds do mundo, Ashmore, gestora inglesa, e do banco americano Goldman Sachs. Nilton David, ex-managing director do Citibank em Nova York, foi o último a se juntar ao grupo. Ele acaba de chegar ao País para o cargo de Gestor de Moedas e Derivativos da Península.

"Esse é um projeto de maturação a longo prazo. Por isso, procuramos pessoas parecidas com a gente nesse aspecto e que não tivessem pingado de um lugar para o outro. Eu fiz minha carreira no CreditSuisse, e o Blatyta vem de uma trajetória de 15 anos no Santander", diz Quintella. O banco suíço tem 24,9% do capital da gestora em ações sem direito avoto. Os 75,1% restantes estão distribuídos entre Quintella e Blatyta, que têm o controle da empresa, e os demais sócios.

No horizonte dos fundadores, está a entrada naatividade de private equity. Mas Quintella reforça que não tem pressa. "A gente não precisa correr porque tem uma oportunidade instantânea. Esse processo no Brasil vai durar anos. Vamos fazer cada coisa bem feita na sua vez",afirma. Além de estratégias adequadas e cautela, Quintella não despreza a forçade uma outra variável - nada controlável - para sua primeira empreitada dar certo. "Tem de ter um pouco de sorte, né? E a gente está contando que a sorte vai aparecer."

 

 

 



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